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08/01/2014 17:49
Violência tem jeito: para começar, sensibilidade
Crianças e adolescentes violentos com os animais serão violentos com o próprio ser humano

Ana Rita Tavares - Vereadora pelo PROS-BA e ativista da causa animal 1 comentário            

Publicado originalmente na edição de 08/01/14 do Jornal A TARDE

As autoridades governamentais brasileiras ligadas à segurança pública, pelo que é publicizado na mídia, não perceberam até agora o problema da violência relacionado com o comportamento agressivo de crianças e adolescentes contra animais. Não despertaram para a importância da chamada "teoria do link", desenvolvida na América do Norte a partir de pesquisas científicas realizadas para aprofundar essa questão, que é óbvia: crianças e adolescentes violentos com os animais serão violentos com o próprio ser humano.

Há alguns anos, através da ONG Terra Verde Viva, vínhamos apoiando e desenvolvendo importante trabalho de educação para o público infanto-juvenil, a partir da criação de músicas (2005 - CD lançado com o apoio do Ministério Público da Bahia), aulas e exibição de vídeos, ao lado da reflexão sobre a alimentação vegetariana. Tudo, tendo como base os princípios da não-violência e valores de respeito a todas as formas de vida, enfatizando a vida animal, que é ainda a mais desconsiderada culturalmente e passa distante do comportamento ético que deveria ter o animal humano.

 
 

Em "Maus tratos aos animais e a violência contra as pessoas", de Marcelo Robis Nassaro, capitão da PM paulista, colhem-se informações amplas sobre a produção científica nos Estados Unidos nessa linha de entendimento. Fernando Tapia (professor da Faculdade de Medicina do Missouri), em 1971, realizou pesquisa que intitulou "Crianças que são cruéis com os animais", reportando-se, dentre outros, ao trabalho Enuresis, Firesetting and Cruelty to Animals: A Triad Predective of Adult Crime, publicado por Daniell S. Helmann e Nathan Blackman, em 1966. Seus estudos sugerem que a enurese (incontinência urinária) persistente, atos incendiários frequentes e a crueldade com animais, que formam a tríade de comportamentos, "quando presentes de forma concomitante em crianças ou adolescentes, podem indicar que serão pessoas violentas no futuro".

Os psicólogos Mary Louise Petersen e David P. Farrinton, apontando o psiquiatra forense e pesquisador Jonh Marshall Macdonald como precursor de estudo dessa natureza, em 1963 ("A ameaça de matar"), já anunciavam a importância da tríade do sociopata ou tríade Macdonald, que tinha a crueldade com animais como um dos ingredientes que compunham o comportamento violento de pessoas contra pessoas.

A pesquisa de Helmann e Blakman analisou 84 prisioneiros adultos do Centro de Saúde Mental de St. Louis, no Missouri, EUA, dos quais 31 foram condenados por crimes violentos contra pessoas. Na infância, estes apresentavam a tríade comportamental. Do restante, 15 apresentaram a tríade completa ou de forma parcial. Isso fez os pesquisadores concluírem que a "presença da tríade na infância ou adolescência poderia ser um prognóstico de comportamento antissocial violento futuro, ou seja, quanto mais cedo fosse detectada a tríade, mais cedo se evitariam crimes violentos no futuro".

Em Cabo, na África do Sul, onde os índices de homicídio e outros crimes cometidos contra pessoas e animais eram alarmantes, foi implementado um programa de educação por uma ONG humanitária, iniciado na casa de detenção da cidade, que transformou a agressividade dos detentos a partir dos cuidados que eles passaram a ter com pássaros que lhes foram entregues.

Nosso objetivo na via do ativismo, e agora como parlamentar, é despertar nossos governantes para esse aspecto da violência. À falta de valorização desse foco no trabalho de prevenção, muito deixa de ser feito e vidas são ceifadas diuturnamente. A inclusão desse elemento construtor da paz no sistema de educação das escolas públicas e privadas ajudaria a controlar a violência.

Entendendo que esse é um assunto de interesse suprapartidário, convocamos os governantes e os gestores públicos a unir forças nessa direção. Em Catu (BA), a juíza de direito da Vara da Infância e Adolescência apresentou declaração formal à ONG Terra Verde Viva reconhecendo que o trabalho educativo realizado na rede municipal de ensino daquele município, em 2011, diminuiu a incidência de infração cometida por menores.

 


ComentáriosComentar Artigo
Paulo Roberto Lobo Duarte
02/03/2014 16:48
O trabalho de prevenção baseado em estudos científicos pode evitar diversos transtornos que de acordo com o "comportamento" de alguns humanos são previsíveis que irão acontecer em curto espaço de tempo.


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